sábado, abril 15, 2006

em busca da pedra certa

eu não sabia por onde começar. sempre quem ia na frente era o morco. quase sempre pro lado errado. então eu tinha que ir. já não tinha minhas botas, tão gastas depois de tanto tempo. mas lá fui eu. a vida tinha ficado rala: a vaca, a psic@, a k., o tuio, a mmm's tinham dado um tempo. tinham suas coisas para resolver. eu devia tomar minhas próprias decisões, enquanto não soubesse o que era feito do morco. até que eu pudesse fazê-lo "intuir" as melhores decisões, como sempre. eu precisava encontrar, achare na memória o que havia desgastado. era como se "meu cérebro tivesse peidado" mas eu não podia me lembrar nem mesmo disso. mas aí veio aquele moço e as coisas começaram a voltar:

— meu filho, trago a pessoa amada em três dias.
— não, tio, por enquanto nem sei se tenho pessoa amada...
— e quanto você tem no bolso?
— não sei, deixa ver... ah, tenho esses restos de marshmallow. pega aí.

foi aí que as coisas (re)*começaram. o velho começou tremer e ameaçou cair, tentei segurar mas era tarde. caiu e ficou se estrebuchando. logo depois, se levantou, limpou a baba da boca e disse que era epiléptico(!), mas que podia me ajudar.

— esses marshmallows contém muita energia, garoto, nunca mais os passe para alguém desse modo...
— tá, e como você pode me ajudar?
— o máximo que eu consegui ver é que um tal de morco...
— isso!!! o morco!!! onde ele tá??? a primeira peça se encaixava...
— calma, garoto. ele disse, a única coisa que ele disse é que você tinha que procurar por rubi...

e o velho caiu, estrebuchando de novo. saí dali, pois aquela baba me incomodava, me lembrou da péssima experiência de confundir creme-de-barbear com pasta-de-dente.

segui procurando, agora eu tinha uma pista quente: "rubi". o que seria rubi. o que eu deveria com isso fazer pra que tudo voltasse, senão ao normal, pelo menos pra que algo voltasse. era como se eu tivesse que lembrar apenas algumas palavras que demorariam, pra ser ditas, tempo suficiente pra não haver mais nada ao redor quando pronunciasse a última sílaba. rubi.

[desenho] ...anos depois de depois de anos

*tentativa de reconciliação coma a facção pós-moderna do quarto quadrante quadrado de críticos e leitores desinteressados da academia extremo-norte-siberiana de repúdio ao comumente comum.

|