em busca da pedra certa
eu não sabia por onde começar. sempre quem ia na frente era o morco. quase sempre pro lado errado. então eu tinha que ir. já não tinha minhas botas, tão gastas depois de tanto tempo. mas lá fui eu. a vida tinha ficado rala: a vaca, a psic@, a k., o tuio, a mmm's tinham dado um tempo. tinham suas coisas para resolver. eu devia tomar minhas próprias decisões, enquanto não soubesse o que era feito do morco. até que eu pudesse fazê-lo "intuir" as melhores decisões, como sempre. eu precisava encontrar, achare na memória o que havia desgastado. era como se "meu cérebro tivesse peidado" mas eu não podia me lembrar nem mesmo disso. mas aí veio aquele moço e as coisas começaram a voltar:
— meu filho, trago a pessoa amada em três dias.
— não, tio, por enquanto nem sei se tenho pessoa amada...
— e quanto você tem no bolso?
— não sei, deixa ver... ah, tenho esses restos de marshmallow. pega aí.
foi aí que as coisas (re)*começaram. o velho começou tremer e ameaçou cair, tentei segurar mas era tarde. caiu e ficou se estrebuchando. logo depois, se levantou, limpou a baba da boca e disse que era epiléptico(!), mas que podia me ajudar.
— esses marshmallows contém muita energia, garoto, nunca mais os passe para alguém desse modo...
— tá, e como você pode me ajudar?
— o máximo que eu consegui ver é que um tal de morco...
— isso!!! o morco!!! onde ele tá??? a primeira peça se encaixava...
— calma, garoto. ele disse, a única coisa que ele disse é que você tinha que procurar por rubi...
e o velho caiu, estrebuchando de novo. saí dali, pois aquela baba me incomodava, me lembrou da péssima experiência de confundir creme-de-barbear com pasta-de-dente.
segui procurando, agora eu tinha uma pista quente: "rubi". o que seria rubi. o que eu deveria com isso fazer pra que tudo voltasse, senão ao normal, pelo menos pra que algo voltasse. era como se eu tivesse que lembrar apenas algumas palavras que demorariam, pra ser ditas, tempo suficiente pra não haver mais nada ao redor quando pronunciasse a última sílaba. rubi.
[desenho] ...anos depois de depois de anos
*tentativa de reconciliação coma a facção pós-moderna do quarto quadrante quadrado de críticos e leitores desinteressados da academia extremo-norte-siberiana de repúdio ao comumente comum.
Vida de Desenho
A história cotidiana de um desenho animado e seu amigo imaginário humano...
E agora vocês podem escrever para nós no vidadedesenho@yahoo.com.br
Sábado, Abril 15, 2006
Quarta-feira, Agosto 31, 2005
::Vida de Desenho:: Episódio 0 - como tudo começou. A gênese da criação do desenho que deu origem ao blog que deu origem ao livro e ao filme que um dia vocês todos irão ver além da cúpula do trovão.
foi assim: o jrs foi criado por uma mão habilidosa de um outro planeta, de uma outra galáxia, em uma outra dimensão e em uma zona espaço-temporal completamente diferente. eu poderia aqui tentar colocar o nome do planeta mas:
1º - é desconhecido;
2º - é impronunciável;
3º - não tenho nesse computador binário os caracteres necessários para escrevê-lo; e
4º - seu nome por extenso é tão grande que, resumido, em letras miúdas na Enciclopédia Galáctica ocupa 70% do segundo volume (que cabe em um galpão grande). posso dizer o mesmo do nome do pai do jrs, e o mesmo do próprio jrs que, se soubesse seu nome (naquele planeta, as pessoas vivem 1 milhão de vezes mais e passam mais de 2/3 da vida dizendo os nomes das coisas. muitos intelectuais liberais defendem o fim do nome no planeta e são seguidos por uma legião que se auto-entitulou a Legião da Pátria Sem-Nome, que, na língua deles, demora de três a quatro mil anos para ser dita).
o pai do jrs estava desenhando uma linda rosa em seu caderno quadriculado. foi quando veio um menino esquálido e ridículo, vestindo uma capa azul e umas botas, tipo as do Power-Rangers.
- credo, que flor horrível.
- Hã? - ele ficou um pouco embasbacado com o aspecto cadavérico do menino.
- eu tenho uma flor no meu planeta que é única no mundo.
- Bah! - resmungou. a flor que ele estava desenhando não era nada menos do que a Única Flor Única em Todas as Galáxias, Dimensões e Zonas do Contínuo Espaço-Tempo, que apenas ele e mais duas pessoas sabem exatamente onde está.
- Por que você simplesmente não desenha outra coisa? você não sabe desenhar flores!
- Menino, cadê a tua mãe?
- Por que você simplesmente não desenha outra coisa?
- O menino nunca renunciava a uma pergunta que tivesse feito. era um chato completo!
- Garoto, por que você não vai brincar de super homem com seus amiguinhos?
- Por que você simplesmente não desenha outra coisa?
- O gravador enguiçou? Sai daqui! - disse já impaciente.
O menino ficou vermelho. tão vermelho que o homem entendeu que esse menino havia fugido do equivalente naquele universo, naquela dimensão, naquele contínuo espaço-temporal de hospício.
- Por que você simplesmente não desenha outra coisa? - disse com cólera.
-Tá bom. se eu desenhar, você vai embora e me deixa em paz?
- Desenha-me um carneiro.Essa frase foi considerada pelo homem um insulto terrível, simplesmente porque era um exímio desenhista e não conhecia nada com esse nome. carneiro não existe na terra dele e ele achou que o menino estava de gozação. então desenhou um yhtitre(+seis anos de fala)... para ele.
- credo, esse carneiro está muito doente!
- rsrsrs... - retrucou. e desenhou um ayghumniutturis(+ 2 anos de fala)...
- esse aqui não é um carneiro, é um bode.e
ntão ele desenhou o jrs, uma criatura cujo criador foi ele e mais ninguém.
- isso aqui não é um carneiro!
- Toma! - disse, e desenhou uma bolha com umas turbinas e uns controles, com o mesmo desenho do jrs dentro bem pequeno para o menino chato e ridículo não ver.
- essa é a nave. o carneiro está dentro. Agora dá o fora antes que eu te enforque com essa capa azul ridícula.
aqui vale um parêntese: se perguntassem para o pai do jrs por que repetiu o desenho, exatamente o mesmo desenho dentro da nave, provavelmente ele diria "não sei". na verdade, com já 2 milhões de anos de vida e apesar de nunca ter pensado nisso, foi a primeira vez (e a última) em que esse cara repetiu um desenho que tinha feito. talvez tudo isso fosse vingança do menino tão chato que o encheu a paciência. talvez seja um dos mistérios nunca descobertos.
- Nossa! que legal! era bem isso que eu queria! Obrigado!
-VaiemboradaquiRÁPIDO!
e o menino pegou uma rede esquisita e pegou carona num cometa. No papel, o jrs já estava achando que pilotava sua nave, o que iria fazer durante um longo tempo.
m
Segunda-feira, Agosto 29, 2005
tem uma coisa difícil que eu tenho que explicar sobre o morco. na verdade, estou tentado a começar a explicar a gênese disso tudo agora que eu sei que ninguém está lendo. vou por partes. o morco, ele é assim. difícil. o pensar do morco sonda partes escusas dos acontecimentos. é assim: tem uma banda tocando. um monte de gente num palco com um monte de instrumentos e uns microfones também... o morco está olhando para um sorriso esquisito, ou para um tipo de cabelo, ou para um detalhe no botão da guitarra e, no final, não será capaz de expressar o que gostou do show em si. estranho? sim, mas tem uma coisa: não é disso que eu quero falar.
lembrei o que eu queria falar sobre ele, o que não é muito difícil, já que uma premissa qualquer o resume. vou resumi-lo hoje assim: qualquer problema que passe pela cabeça do morco, logo é substituído por um conhaque, por uma vontade louca de chocolate ou sorvete, por uma ficha de fliperama ou por uma tesoura e um monte de elásticos de dinheiro... não que ele tenha pensado em algum momento em se livrar do seu problema. se o problema é muito grande, muito cabeludo, ele simplesmente o esquece, o enterra em algum canto da sua cabeça.
vamos pensar assim: o morco acordou num motel. ele não lembra exatamente o que foi fazer lá. ele perdeu algo. então ele pegou um carro e foi para o bar, perguntar para o garçom se ele tinha visto "mais alguns desses", se referindo a pequenos pedaços de marshmallows ainda agrudados no seu maxilar.
não conseguira colocar ainda na cabeça onde está o desenho. ele é parte integrante do funcionamento do morco.
m
Domingo, Agosto 21, 2005
teorias cabeludas
existem fatos. os fatos é que tornam toda a história da humanidade uma bizarra combinação de atitudes sem-sentido. a função que as pessoas se deram durante sua vida desde sempre e para sempre é encontrar sentido nessa sociedade desprovida dele, o que torna essa combinação ainda mais bizarra e sem-sentido ainda.
o fato: um ser humano de aproximadamente 1,80, moreno acordando numa banheira de um motel. ele se sentiria um completo idiota se tivesse consciência de que as coisas que acontecem ao seu redor são do jeito que são por causa de suas próprias ações.
esfrega os olhos um pouco agoniado porque não sabe ao certo como foi parar ali. ele se levanta e vê o sabonete do motel, a toalha do motel, o roupão do motel. "será que estou num motel?"
ele se embrulha no roupão que é menor que ele e fica se sentindo ridículo. lava a cara no espelho. "o que é isso?" - pensa, desgrudando um estranho objeto branco e melecado da cara. aí lembra: marshmallow. sim, comprara um saco de marshmallow num posto de conveniência. as coisas ainda estão nebulosas para ele. ele se enxuga e se sente um pouco diferente. mais leve talvez, e descobre que não se conhece, que não sabe nem mesmo quem é?
"meu nome... qual o meu nome?" ele pensa que talvez seja alguma coisa com j... não, m. mauro, márcio, marco... MORCO! é isso, seu nome é morco.
O morco que ele conhecia tinha aproximadamente 1,80, era moreno, cabelo e barba compridos... mas aquele morco ali não tinha cabelo nem barba.
"meudeus!". então ele se lembra de ter saído de casa, caído na farra, colocado três gatinhas no carro, duas garrafas de tequila e dois pacotes de marshmallow.
"hummm. onde eu coloquei o desenho? jrs, onde cê tá?"
ele não lembra. foi no frigobar e não tinha nada para comer ou beber. resolveu sair do quarto e descobriu uma conta enorme. além de 10 horas de motel e de todos os produtos do frigobar, as meninas levaram roupões, duas garrafas de champagne e um vinho italiano.
ele paga a conta e vai atrás do desenho.
humpf!!
Quarta-feira, Agosto 03, 2005
E agora?
Depois do declínio e queda do guitarrista da banda mais dibujada da história de florianópolis, agora consigo vislumbrar as vantagens da saída do nosso guitarrista mimado (é, aquele que aceitou um carro do pai dele para não tocar mais na nossa banda).
1) podemos dar aquela parada básica para pensar melhor sobre a sonoridade que estamos buscando com a banda;
2) podemos fazer uma banda completamente diferente, com mais instrumentos, mais vocais... emfim, uma banda supimpa;
3) isso tudo sem o incômodo de uma pessoa indecisa que...
- Morco, que tás fazendo aí no computador?
- hehe... oi jrs... nada não. só escrevendo uma cartinha..
- PORRA MORCO!!! Não é pra ficar contando que o thiago saiu da banda, muito menos falando que ele saiu por isso!
- Ah, juniores, vc sabe muito bem que...
- CHEGA! APAGA ISSO AGORA MESMO!!!
- Tá bom, tá bom... Oh... desculpe, jrs. apertei o botão laranja!
- dá aqui isso!
- NÃO.
- AAAAHHH.
morco - imensamente feliz - esperando o dia em que eu esteja com um machado na mão e o thiago passe para me cumprimentar.
Terça-feira, Maio 31, 2005
Há dias em que o melhor a fazer para não acabar mal é ficar em casa. Esses dias normalmente começam com um sonho estranho, ou com uma briga antes do café da manhã, ou com uma pancada na cabeça, fruto de uma sonolência gigantesca, misturada com uma porta do guarda-roupa que alguém deixou aberta na noite anterior.
Normalmente esses dias são aqueles em que temos as coisas mais importantes para resolver e há quem diga que isso não passa de um paradoxo tostines. o dia do desenho começou com uma lata de atum:
- Auch!
- Que foi, tontoon?
- Meu dedo. está sangrando... maldito abridor de latas!
- Peraí. deixa eu ver isso... Caralho, tontoon, cê tá com merda na cabeça? Isso não é um abridor de latas!
- eu sei né... dãããã! é que eu não achei o abridor e resolvi abrir com a faca.
- tontoon. isso é um sabre afiadíssimo. era do meu avô ninja.
- hauhauhauahuahau ...hauhauahuahua avô ninja! que coisa mais idiota!
- bom, não queria dizer nada, mas o que me preocupa mesmo é que o seu dedo está no chão.
- AAAAAA!
- tá, tontoon, você é um desenho animado. só imaginar outro dedo aí e ele nasce.
- é verdade.
- vou pegar o abridor de lata e a gente vai comer esse atum aí.
Foi assim: abri o atum, o dedo do tontoon não tinha crescido ainda (na real estava esguichando sangue como se ele fosse um mangá e eu falando "PÁRA COM ISSO SEU IMBECIL!"). Coloquei o atum no pão pra ele e pra mim. Comemos dando mordidas grandes brincando de Hagar, o viking quando ouvi um "cleck" e pensei "cleck?". Imagino também que o tontoon tenha pensado "cleck?" antes de gritar de novo:
-AAAAAAIIIIH! Put! qz p'riu!
E cuspir vários cacos de dente. Havia um osso consideravelmente grande da espinha do atum na sua parte do sanduíche. Pra piorar, ele continuou cuspindo dente por uns vinte minutos, porque desenho quando se apavora exagera um pouco no drama. sua boca ficou careca de dente, embora na hora em que eu havia pensado isso, pensei em seguida "careca de dente?..... "careca de dente?" E comecei a rir desdesperado....
- QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁ HAUHAUAUIUAI!!!
-Pára de rir de mim, seu idiota... pára com isso... morco...MORCO!
morco QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁQUÁ snif QUÁQUÁQUÁQUÁQUÁ...
Terça-feira, Maio 24, 2005
:.Na Vala.:
- morco, como está se sentindo?
- vrrótimuuu.
mmm's vira-se para o desenho que faz cara de indiferente vendo seu amigo sentado no meio de um monte de risoto de sardinha que ele mesmo regorgitou.
- o que a gente faz com ele?
- sei lá. joga ali naquele sofá e dá alguma coisa pra ele beber, uai.
- sabe, é que você tem experiência no assunto...
- não quero falar sobre isso.
- uuuuquiééé que cês tão ff... falanduuuuu?
- então, tontoon, me ajuda a levar o menino pra lá?
- você tá dizendo pra gente jogar ele ali naquela vala?
- NÃO SEU LOKO!!!
- sim, você está dizendo exatamente isso... eu ouvi muito bem... "tontoon, pega o morco e joga ele na vala"
- NNNÃO ME CHHHHHAMM... (bluah) d´MORCO, CARALHO!
- UIII, tontoon, ele vomitou em mim... filho da...
- O quê? eu ouvi de novo... "pega o morco e joga na vala"
(mmm's fica pensativa...)
- é, ouviu sim, eu disse isso. vai me ajudar?
- claro!
morco - UQUIÉ que cês vão fazer comig... (BLAARG)
